sexta-feira, 20 de novembro de 2009

...quatro estações...

Segurava entre os dedos frios a flor vermelha já morta, que acabara de apanhar na moita do quintal. Quatro estações desde que plantara as sementes, presente do vizinho, amigo de infância. Trezentos e sessenta e cinco dias de espera e zelo, de cuidado, de regar, de cantar antes de dormir, de conversar sobre tudo o que deveria ser e nunca é...

Agora, ali parada, flor entre os dedos frios, observava, estagnada, o movimento das petalazinhas mortas com o soprar dos ventos que precediam a tempestade. Aninha percebia, entre as primeiras gotas, frias, da chuva, a fragilidade daquelas pétalas, que pareciam de camurça. Entendia a brevidade dos atos-sem-volta, a vulgaridade com que, às vezes, faz-se movimentos bruscos demais, antecipa-se aos pensamentos sãos, trai-se amargamente.

Sua angústia foi interrompida pelo badalar do relógio cuco da sala de estar. Meia noite. Já era tarde, muito tarde, tarde demais. Contornou a moita e voltou para o quarto, com sua mais querida flor entre os dedos molhados.

terça-feira, 30 de junho de 2009


uma aflição que parece não ter fim
uma vontade que nunca se esgota
uma falta que nunca é suprida

que rasga os nervos por dentro
que derrete o gelo dos picos mais altos
e inunda os vales mais profundos com lágrimas quentes

aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh

terça-feira, 2 de junho de 2009


aqueles olhos
olhinhos tristes
pequeninos
que não queriam parar de querer chorar

nunca mais vi
foram embora
voando
alto, alto
tão longe

ficou o rastro
a memória
a cicatriz
o eco

segunda-feira, 1 de junho de 2009


tragédias explicitam a dor
o grito ecoante bestamente proferido
a lembrança vaga de dias que não voltarão
que morreram com o passarinho branco que queria domar as tempestades
e que se esgotou cedo demais
antes de mais um pôr do sol
sem sentido algum

quinta-feira, 21 de maio de 2009


... quem não sangra, não está vivo ...
... e quem sangra, não sabe que está ...

quarta-feira, 20 de maio de 2009


O sonho nunca alcançado balança lá na frente
Implorando perdão

Mas é sempre muito tarde
Tarde demais

domingo, 17 de maio de 2009

Einsamkeit

Ich will das Schweigen
Ganz allein am Morgen
Bei mir selbst, so üblich

Ich stehe auf, wasche mir das Gesicht
Wie immer, wie gewöhnlich, wie es so ist
Dann fällt es mir ein,
Dass ich wirklich einsam bin
Was es vielleicht mir gut macht

Sogar wenn ich mit Freunden bin
Auf einer Party, im Kino, zu Hause
Ich weiß deutlich, was Wahr ist...

Ich fühle, was Richtig oder Falsch ist
Aber ich weiß nicht, wo sollte ich bin
Was sollte ich machen
Wen sollte ich hören
Ich brauch Hilfe, Regeln zu folgen, vielleicht

Es gibt immer so viele Gewissheiten im Leben

Manchmal tun sie mir so weh...